Ego x profissão: qual a medida?

Quantas vezes você já ouviu: “O problema desse profissional é o ego!”.

Mas o que é o ego?

O ego é formado por aquilo que queremos x o nosso senso de realidade x os valores pelos quais norteamos a nossa existência. É determinado pela ordem de prioridade que os elementos ocupam em cada pessoa. Há quem priorize os seus desejos em detrimento da realidade e valores morais; mas existem pessoas que se preocupam muito mais com a realidade, colocando a razão em jogo ao invés de render-se a prazeres imediatos; já algumas pessoas utilizam um filtro chamado moral para validar a integridade dos seus desejos.

Independente da prioridade de cada um, o ego é o verdadeiro representante do seu “eu”, já que considera o que é realmente importante para uma pessoa e que norteia a maneira como nos comportamos.

Logo, o ego não pode ser considerado como algo ruim, já que, sem ele, não haveria sentido para criarmos, realizarmos, inovarmos, enfim, a humanidade não teria evoluído sem real sentido de cada um.

Mas você entende onde está o problema?

O problema está na tentativa desenfreada de atender o ego acima de qualquer coisa, o que conhecemos como egoísmo.

Uma pessoa egoísta coloca seus interesses, opiniões, desejos, necessidades em primeiro lugar, não se importando com o ambiente a sua volta. Uma pessoa egoísta – e todos são em maior ou menor medida – sofre porque as outras pessoas não correspondem à sua expectativa.

Ao surgir uma situação que não atenda às nossas expectativas, podemos reagir de formas diferentes:

– Comportamento egoísta destrutivo: boicote do outro – exemplo: aconteceu uma situação diferente do que eu imaginava eu destruo o outro, eu falo mal, faço calunia.

– Comportamento egoísta defensivo: perda de motivação – eu passo a ser um profissional campista, mantenho apenas a zona de conforto, fico passivo.

– Comportamento egoísta fugitivo: desistência

– Comportamento altruísta: é a única opção inversa ao egoísmo, postura colaborativa.

É fato que encontrar uma pessoa com um comportamento altruísta não é uma tarefa fácil, pois no mundo organizacional o foco é maior na competição do que a colaboração. Uma pessoa somente terá um comportamento altruísta dentro de uma empresa se o ambiente permitir que isso aconteça, caso contrário, o egoísmo, independente da sua forma, prevalecerá.

Uma pessoa não pode ser crucificada por ter um comportamento egoísta, afinal, todos já nos comportamos assim em algum momento da vida, seja no trabalho, no relacionamento, no trânsito, enfim, todos já colocamos os nossos interesses em primeiro lugar. O problema é quando o egoísmo não é apenas um comportamento momentâneo e sim faz parte da identidade da pessoa, fazendo-a ignorar tudo e todos em prol do seu ego.

Uma pessoa intrinsecamente egoísta é regida por valores como poder, status, independência e ambição. Não que esses valores devam ser extintos da sociedade, mas devem ser acompanhados de outros valores como compaixão, solidariedade, colaboração, respeito.

Muitas vezes devemos sim ser egoístas, saber dizer não, colocar os nossos interesses em primeiro lugar, pois viver abdicando do nosso ego não nos trará felicidade. Isso é assertividade! Deve haver a dosagem entre a hora de ser altruísta e saber a hora de ser egoísta.

Independente da sua personalidade, eu deixarei pontos de reflexão para que a sua trajetória seja mais suave:

1. Adote um comportamento altruísta, mesmo que seja difícil, e as pessoas se aproximarão de você;

2. Seja egoísta quando preciso, mas deixe claro para as pessoas o motivo;

3. Não deixe que a ansiedade de atender o seu ego, destrua a sua capacidade de construir uma trajetória profissional íntegra.

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